segunda-feira, 27 de setembro de 2010

S. Gabriel Arcanjo

Arcanjo São Gabriel
" ... a palavra "Anjo" designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência  chamam-se Arcanjos.

Esta é a razão pela qual à Virgem Maria não foi enviado um Anjo qualquer mas o Arcanjo Gabriel; de facto, era justo que para esta missão fosse enviado um Anjo superior, porque vinha anunciar a maior de todas as mensagens. ...

A Maria foi enviado Gabriel, que significa "fortaleza de Deus", porque veio anunciar Aquele que, apesar da sua aparência humilde, havia de triunfar sobre os poderes superiores. Convinha, de facto, ser anunciado pela "Fortaleza de Deus" Aquele que vinha ao mundo como Senhor dos exércitos e poderoso nas batalhas." S. Gregório Magno

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Nossa Senhora da Conceição, S. Marçal e Santo António

"S. Marçal foi Bispo e mártir. Sto António é franciscano. Em virtuda da sua fortíssima intimidade com Jesus Cristo e da sua simplicidade e humildade é representado com o Menino Jesus ao colo - privilégio habitualmente só concedido à Virgem Maria e a São José. A Cruz que enverga significa que foi varão muito mortificado, que não hesitou em seguir a Jesus pobre e crucificado, arrostando com todas a dificuldades e contrariedades sem nunca decair do Amor a Deus e ao próximo. Os lírios entrelaçados à cruz significam a sua excepcional pureza e castidade, da alma e do corpo." Frei Nuno Allen

Santa Clara de Assis

"Os pais de Santa Clara de Assis, que eram ricos aristocratas, opunham-se a que ela seguisse ao teor de vida Evangélica à maneira de S. Francisco. Por isso, ela foge de casa, com uma companheira, e é recebida na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos por S. Francisco e seus primeiros companheiros. Este corta-lhe os cabelos, como nos mostra o painel, significando com isso o abandono das vaidades deste mundo e a entrega total de amor a Jesus Cristo. Abaixo, pode ler-se a catequese do Papa Bento XVI que resume esplendidamente a vida desta Santa." Frei Nuno Allen

Santa Clara de Assis

Prezados irmãos e irmãs
Uma das Santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. O seu testemunho mostra-nos como a Igreja inteira é devedora a mulheres intrépidas e ricas de fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja.
Portanto, quem era Clara de Assis? Para responder a esta pergunta, dispomos de fontes seguras: não apenas das antigas biografias, como a de Tomás de Celano, mas também das Actas do processo de canonização promovido pelo Papa só poucos meses depois da morte de Clara e que contém os testemunhos daqueles que viveram ao seu lado durante muito tempo.

Tendo nascido em 1193, Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver humilde e pobre, seguindo a forma de vida proposta por Francisco de Assis. Embora os seus parentes, como acontecia nessa época, começavam a programar para ela um matrimónio com uma personalidade importante, Clara, com 18 anos de idade, com um gesto audaz inspirado pelo profundo desejo de seguir Cristo e pela admiração que tinha por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma das suas amigas, Bona de Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores na pequena igreja da Porciúncula. Era a tarde do Domingo de Ramos de 1211. Na comoção geral, foi levado a cabo um gesto profundamente simbólico: enquanto os seus companheiros seguravam nas mãos algumas tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o rude hábito penitencial. A partir daquele momento, ela tornou-se a virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, consagrando-se totalmente a Ele. Como Clara e as suas companheiras, inúmeras mulheres ao longo da história ficaram fascinadas pelo amor a Cristo que, na beleza da sua Pessoa divina, enche o seu coração. E a Igreja inteira, por intermédio da mística vocação nupcial das virgens consagradas, mostra-se como sempre será: a Esposa bonita e pura de Cristo.
Numa das quatro cartas que Clara enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Boémia, que desejava seguir os seus passos, fala de Cristo, seu amado Esposo, com expressões nupciais que podem causar admiração, mas que comovem: «Amando-o, és casta, tocando-o, serás pura, deixando-te possuir por Ele, és virgem. O seu poder é mais forte, a sua generosidade é mais elevada, o seu aspecto é mais excelso, o amor é mais suave e todas as graças mais sublimes. Já foste conquistada pelo seu abraço, que ornamentou o seu peito com pedras preciosas... coroando-te com um diadema de ouro, marcado com o sinal da santidade» (Primeira Carta: FF, 2862).

Principalmente no início da sua experiência religiosa, Clara encontrou em Francisco de Assis não apenas um mestre cujos ensinamentos devia seguir, mas inclusive um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito bonito e importante. Com efeito, quando se encontram duas almas puras e inflamadas pelo mesmo amor a Deus, elas haurem da amizade recíproca um estímulo extremamente forte para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura. Como São Francisco e Santa Clara, também outros Santos viveram uma profunda amizade no caminho rumo à perfeição cristã, como São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal. E é precisamente São Francisco de Sales que escreve: «É bom poder amar na terra como se ama no céu, e aprendermos a amar neste mundo como havemos de fazer eternamente no outro. Aqui não me refiro ao simples amor de caridade, porque temos que ter este amor por todos os homens; refiro-me à amizade espiritual, no âmbito da qual duas, três ou mais pessoas permutam entre si a devoção e os afectos espirituais, tornando-se realmente um só espírito» (Introdução à vida devota, III, 19).
Depois de ter transcorrido um período de alguns meses no interior de outras comunidades monásticas, resistindo às pressões dos seus familiares que inicialmente não aprovaram a sua escolha, Clara estabeleceu-se com as primeiras companheiras na igreja de São Damião, onde os frades menores tinham organizado um pequeno convento para si mesmos. Naquele mosteiro ela viveu por mais de quarenta anos, até à morte, ocorrida em 1253. Dispomos de uma descrição de primeira mão, sobre o modo como estas mulheres viviam naqueles anos, nos primórdios do movimento franciscano. Trata-se do relatório admirado de um bispo flamengo em visita à Itália, D. Tiago de Vitry, que afirma ter-se encontrado com um grande número de homens e mulheres, de todas as classes sociais que, «deixando tudo por Cristo, fugiam do mundo. Chamavam-se frades menores e irmãs menores e são tidos em grande consideração pelo Senhor Papa e pelos cardeais... As mulheres... vivem juntas, em diversos hospícios não distantes das cidades. Nada recebem, mas vivem do trabalho das suas próprias mãos. E sentem-se profundamente amarguradas e incomodadas, porque são honradas mais do que desejariam por clérigos e leigos» (Carta de Outubro de 1216: FF, 2205.2207).

Tiago de Vitry tinha reconhecido com perspicácia uma característica da espiritualidade franciscana, à qual Clara era muito sensível: a radicalidade da pobreza, associada à confiança total na Providência divina. Por este motivo, ela agiu com grande determinação, obtendo da parte do Papa Gregório IX ou, provavelmente, já do Papa Inocêncio III, o chamado Privilegium paupertatis (cf. FF, 3279). Com base nisto, Clara e as suas companheiras de São Damião não podiam possuir qualquer propriedade material. Tratava-se de uma excepção verdadeiramente extraordinária em relação ao direito canónico então em vigor, e as autoridades eclesiásticas daquela época concederam-no, valorizando os frutos de santidade evangélica, que reconheciam no estilo de vida de Clara e das suas irmãs. Isto demonstra que, também nos séculos da Idade Média, o papel das mulheres não era secundário, mas considerável. A este propósito, é útil recordar que Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis fosse conservado em todas as comunidades femininas, que se iam estabelecendo em grande número já naquela época e que desejavam inspirar-se no exemplo de Francisco e de Clara.

No convento de São Damião, Clara praticou de maneira heróica as virtudes que deveriam distinguir cada cristão: a humildade, o espírito de piedade e de penitência, a caridade. Não obstante fosse a superiora, ela queria servir pessoalmente as irmãs enfermas, sujeitando-se inclusive a tarefas extremamente humildes: com efeito, a caridade ultrapassa qualquer resistência, e quem ama realiza todo o sacrifício com alegria. A sua fé na presença real da Eucaristia era tão grande que, por duas vezes, se verificou um acontecimento milagroso. Só com a ostensão do Santíssimo Sacramento, ela afugentou os soldados mercenários sarracenos, que estavam prestes a invadir o convento de São Damião e a devastar a cidade de Assis.

Também estes episódios, assim como outros milagres dos quais se conservava a memória, impeliram o Papa Alexandre IV a canonizá-la apenas dois anos depois da sua morte, em 1255, delineando um seu elogio na Bula de canonização, em que lemos: «Como é vivo o poder desta luz e como é forte a resplandecência desta fonte luminosa! Na realidade, esta luz mantinha-se fechada no escondimento da vida claustral, enquanto fora irradiava clarões luminosos; recolhia-se num mosteiro angusto, enquanto fora se difundia em toda a vastidão do mundo. Conservava-se dentro e propagava-se fora. Com efeito, Clara escondia-se, mas a sua vida era revelada a todos. Clara calava-se, mas a sua fama clamava» (FF, 3284). E é precisamente assim, estimados amigos: são os Santos que mudam o mundo para melhor, que o transformam de forma duradoura, infundindo as energias que unicamente o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os Santos são os grandes benfeitores da humanidade!

A espiritualidade de Santa Clara, a síntese da sua proposta de santidade é condensada na quarta Carta a Santa Inês de Praga. Santa Clara recorre a uma imagem muito difundida na Idade Média, de ascendências patrísticas: o espelho. E convida a sua amiga de Praga a reflectir-se naquele espelho de perfeição de todas as virtudes, que é o próprio Senhor. Ela escreve: «Sem dúvida, feliz é aquela a quem é concedido beneficiar desta sagrada união, para aderir com o profundo do coração [a Cristo], Àquele cuja beleza é admirada incessantemente por todas as bem-aventuradas plêiades dos céus, cujo afecto apaixona, cuja contemplação restabelece, cuja benignidade sacia, cuja suavidade satisfaz, cuja recordação resplandece suavemente, diante de cujo perfume os mortos voltarão à vida e cuja visão gloriosa tornará bem-aventurados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E dado que Ele é esplendor da glória, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olha todos os dias para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e nela perscruta continuamente o teu rosto, para que assim tu possas adornar-te inteiramente no interior e no exterior... Neste espelho refulgem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade» (Quarta Carta: FF, 2901-2903).

Gratos a Deus que nos doa os Santos que falam ao nosso coração e nos oferecem um exemplo de vida cristã a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de bênção que Santa Clara compôs para as suas irmãs de hábito e que ainda hoje as Clarissas, desempenhando um papel precioso na Igreja com a sua oração e a sua obra, conservam com grande devoção. São expressões em que sobressai toda a ternura da sua maternidade espiritual: «Abençoo-vos na minha vida e após a minha morte, como posso e mais do que posso, com todas as bênçãos com as quais o Pai da misericórdia abençoou e há-de abençoar no céu e na terra os filhos e as filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e hão-de abençoar os seus filhos e as suas filhas espirituais. Amém!» (FF, 2856).

sábado, 18 de setembro de 2010

Santa Teresa de Jesus, menina a caminho do martírio

"Este painel mostra-nos Santa Teresa, de bastão numa mão e um cesto com farnel no braço, e um dos seus irmãos, dois anos mais novo do que ela, encontrados por  um tio (o cavaleiro) quando intentavam a fuga de Ávila para irem a terra de mouros a fim de padecerem o martírio. Santa Teresa e este seu irmão eram muito dados à oração e meditação. Impressionava-os particularmente a eternidade quer da condenção (Inferno) quer da salvação, isto é, da Glória (o Céu). Meditando na felicidade da Bem-aventurança eterna repetiam muito devagar: para sempre, para sempre, para sempre. E a Santa Teresa afigurava-se-lhe que os tormentos, suplícios e morte dos mártires eram um baixo preço, um custo muito pequeno, para adquirir  a Glória eterna junto a Deus. Por isso persuadiu o irmão a segui-la. Levariam um farnel e quando este terminasse iriam mendigando pelo caminho até chegarem a terra de infiéis que matando-os lhe abrissem as portas do Céu." Frei Nuno Allen

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Santíssimo Sacramento da Eucaristia

"Este painel representa Jesus Cristo inteiramente presente na aparência de pão, numa custódia. É o Mistério ou Sacramento da Eucaristia. Jesus está verdadeira e realmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, sob as espécies da Hóstia consagrada. O Bem-aventurado Francisco, pastorzinho de Fátima, chamava-Lhe o Jesus escondido. Junto a Ele passava longo tempo em meditação e oração para O consolar. Quanto mais os pecadores O ofendiam mais Francisco O amava para compensar os agravos  e indiferenças dos pecadores. A pedra sob o painel ilustra uma oração tipicamente franciscana que se reza, ainda hoje, na generalidade dos conventos dos Irmãos Menores, fundados por S. Francisco de Assis. Abaixo transcreve-se , quase na sua totalidade uma oração de S. Boaventura ao Sacramento da Eucaristia." Frei Nuno Allen
" ... Dai à minha alma fome de Vós, Pão dos Anjos, Alimento das almas santas, nosso pão quotidiano, supersubstancial, no qual se encontram todas as doçuras, todos os sabores, todas as suavidades que deleitam.

Ó Pão que os Anjos desejam contemplar, coma-Vos esta alma tão cheia de fome de Vós; que o mais profundo dela se encha da doçura de Vos saborear; arda sempre na sede de se ir dessedentar nesta fonte de vida, de sabedoria, de ciência, de luz que jamais se apaga, na torrente das delícias que enche a casa de Deus.

Seja assídua em procurar-Vos, encontre-Vos, tenda para Vós, chegue até Vós; pense em Vós, fale conVosco, proceda sempre +ara louvor e glorificação do Vosso nome, com humildade e discrição, com alegria e amor, com facilidade e afecto, com perseverança que dure até ao fim.

Sede continuamente a minha única esperança, toda a minha confiança, a minha riqueza, o meu prazer, a minha alegria, o meu descanso, a minha tranquilidade, a minha paz, a minha suavidade, o meu aroma, o meu encanto, o meu alimento, a minha comida, o meu refúgio, o meu auxílio, a minha sabedoria, a minha parte da herança, o meu bem possuído, o meu tesouro, em que esta alma e este coração se enraízem para sempre, de um modo firm e imutável. Amen." (S. Boaventura)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sete espadas numa só espada - Nossa Senhora das Dores

"Nesta Imagem de Nossa Senhora das Dores vemos que sete espadas lhe ferem o coração para significar as sete dores que a trespassaram. Estaremos recordados que quando a Virgem Maria e S. José vão com o Menino Jesus ao Templo para o apresentarem ao Senhor, Simeão profetiza que Jesus será sinal de contradição e que uma espada atravessará a alma de Sua Mãe. Referia-se o Santo varão principalmente à Paixão e morte de Jesus mas também áquilo que de algum modo a antecipou. Assim,  a primeira dor da Virgem foi ver seu Filho derramar o Seu precioso Sangue na circuncisão, como anticipação do que derramaria copiosamente na Sua Paixão; a segunda, foi a aflição do desterro na fuga para o Egipto para evitar que Seu Filho fosse assassinado às mãos do cruel rei Herodes - neste mistério o Egipto que tinha escravizado o povo judeu é redimido agora por abrigar o próprio Deus feito Homem; a terceira é a perda, durante três dias, como mais tarde na morte de Cristo, do Seu Filho que veio depois a encontrar no Templo; a quarta, é a cruz que Lhe colocam às costas para que a carregue para o Calvário; a quinta, é a Sua crucifixão na Cruz; a sexta a Sua morte; e a sétima, a Sua descida da crus para o regaço de Sua Mãe Santíssima. Todas estas dores ou, se quisermos, toda esta dor continuada foi uma participação cooperante nos sofrimentos Redentores de Seu Divino Filho." Frei Nuno Allen

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Exaltação da Santa Cruz


"Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa Cruz! Grande, porque é a origem de bens inumeráveis, tanto mais excelentes quanto maior é o mérito que lhes advém dos milagres e dos sofrimentos de Cristo. Preciosa, porque a Cruz é simultaneamente o patíbulo e o troféu de Deus: o patíbulo, porque nela sofreu a morte voluntariamente; e o troféu, porque nela foi mortalmente ferido o demónio, e com ele foi vencida a morte. E deste modo, destruídas as portas do inferno, a Cruz converteu-se em fonte de salvação para todo o mundo." Santo André de Creta